AUTORITARISMO IMAGÉTICO:
IMPOSIÇÕES SOBRE A QUALIDADE VISUAL
Uma análise crítica de como a imagem das cidades é retratada seletivamente
RESUMO
Neste estudo sobre a imagem urbana, fica evidente como as cidades são frequentemente retratadas por lentes seletivas, onde áreas consideradas “ruins” são deliberadamente ocultadas, enquanto aquelas tidas como “boas” são comumente destacadas. Esse processo de construção de imagem não é novo, remontando às primeiras representações do espaço urbano, como em pinturas antigas e, mais recentemente, em cartões-postais.
Esses fragmentos visuais mostram apenas o que a cidade deseja revelar. Entretanto, cantos negligenciados, falhas de planejamento e evidências de deficiências governamentais são omitidos, pois não se encaixam na narrativa controlada, refletindo um controle autoritário sobre a imagem apresentada.
No discurso arquitetônico e urbano, essa construção seletiva de imagens levanta questões importantes: assim como os cartões-postais escondem as sombras da cidade, intervenções urbanas também correm o risco de se tornar meras fachadas, sem promover mudanças reais e positivas.
É a partir desse contraste entre imagem e realidade que este estudo convida arquitetos e urbanistas a olhar mais profundamente para a alma da cidade e sua essência.
Desenvolvimento da pesquisa: arquiteto Roberto Gasparini Jr.
Imagens: Roberto Gasparini Jr.